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DEPARTAMENTO DE MEDICINA SOCIAL FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO - USP

Origens e Antecedentes

O significado da criação do primeiro Departamento de Higiene e Medicina Preventiva numa escola médica no Brasil está intimamente associado ao projeto da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Duas características fariam a FMRP destacar-se entre as Escolas Médicas brasileiras: a ênfase no binômio ensino-pesquisa – a educação médica centrada na atividade de investigação experimental e clínico-laboratorial – e o tempo integral e dedicação exclusiva à docência e à pesquisa como regime preferencial de trabalho do corpo docente, revelando a influência flexneriana no projeto médico-educacional ribeirãopretano. Inovadora, a nova Escola Médica viria destacar-se também, pela introdução de disciplinas como a Psicologia Médica e a Higiene, e Medicina Preventiva. Esta última apareceu como uma tendência nova nos EUA numa tentativa de corrigir e compensar as distorções resultantes da excessiva multiplicação de especialidades e sub-especialidades médicas. Tentar reintegrar o homem, promovendo a visão holística do indivíduo e sua compreensão no interior da família e da comunidade, era o escopo principal da nova disciplina. Incutir no futuro médico a mentalidade da prevenção nos diversos níveis e a visão integral do paciente e sua família, eram os objetivos do projeto preventivista. Não se tratava de uma especialidade médica como as outras: carecia de um objeto exclusivo, uma região ou sistema do corpo humano, ou o domínio de uma técnica e/ou método de diagnóstico e tratamento. Tratava-se de promover uma atitude diante do homem e diante da saúde-doença, que deveria permear toda a Educação Médica, atitude que revelava um projeto de caráter político-ideológico pois continha uma concepção particular dos problemas médico-sociais. Um tipo especial de explicação naturalizada e biologicista da doença e da sua distribuição na sociedade. Explicação que estaria embasada na metodologia e nas técnicas das pesquisas: privilegiar-se-ia então a história natural das doenças, a bioestatística, o trabalho de educação da coletividade baseado numa proposta holística da relação médico-paciente. A tarefa do controle das doenças poderia então ser equacionada técnico-cientificamente.